Antes da exposição mundial Xangai2010, decorre ainda este ano a exposição mundial Zaragoça2008, em Espanha. Recentemente foi apresentado o projecto do pavilhão que irá representar Portugal nesta exposição. O projecto de arquitectura e conteúdos foi elaborado por Bak Gordon Arquitectos.
O pavilhão é pensado como um todo contínuo assumindo a metáfora primordial do rio (tema mobilizador do evento) correndo da nascente até à foz, sempre diverso mas mantendo uma personalidade forte e inconfundível.



Os dois espaços públicos fundamentais do pavilhão (área expositiva e Portugal Compartilha) marcam dois momentos e duas atitudes distintas de experimentar o espaço. Na Exposição, os visitantes são conduzidos às diferentes temáticas expositivas através de um percurso bem definido no espaço e no tempo. No espaço Portugal Compartilha, encontramos um lugar polivalente, onde todos os eventos acontecem, de livre utilização, onde o público define os seus níveis de participação. O átrio é pautado pela presença de caixas de luz, que em conjunto constitui um espaço de transição para a entrada na área de exposição.
O primeiro momento da exposição, a que é designada ALERTA, desenvolve-se num espaço tubular, onde a presença de imagens projectadas, associadas a superfícies espelhadas e com geometrias irregulares, transportam a um só tempo os visitantes para “cenários-limite”, alertando para os problemas reais que as recentes mutações climáticas provocam. Em simultâneo, outros alertas de natureza científica são apresentados, bem como uma atmosfera sonora que complementa a imagem envolvente.
A grande sala da exposição refere-se ao segundo momento a que é chamado de CONSCIÊNCIA. Trata-se de uma nave rectangular, com cerca de 350m2 e 8 m de altura, onde se destacam dois elementos arquitectónicos: um “rio” de cor rubra que se desenvolve ao longo da sala, tocando ou extravasando os seus limites, levando-nos pela descoberta dos rios Douro, Tejo e Guadiana; e uma superfície periférica vertical, afastada dos limites reais da sala, espécie de “anel” suspenso que servirá de suporte aos diferentes componentes expositivos. Pontualmente, grandes elementos suspensos reforçarão o efeito de surpresa na grande sala.
O pavimento/percurso encontra-se ligeiramente sobrelevado face ao pavimento existente e cobre apenas o espaço indispensável ao percurso expositivo. As áreas não necessárias ficam por construir, enfatizando a circulação/curso do rio, ao mesmo tempo que se chama a atenção para a relação entre o essencial e o supérfluo, criticando o desperdício. Esta opção valoriza o percurso dos visitantes, fazendo-os percorrer uma espécie de passerelle que metaforicamente deverá ser lida como o ciclo da vida, mas também como palco onde expressa a sua responsabilidade.
Na terceira sala, denominada MUDANÇA, procura-se projectar os visitantes para um futuro melhor, mais atento. É nesta sala que se desenvolve uma instalação interactiva, onde o movimento dos visitantes implica o movimento de palavras e frases, escritas e ditas em inúmeros idiomas, num ambiente dinâmico que preenche todo o espaço, e onde uma torrente de palavras determina o final da visita.


